segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Dilma Rousseff, gênero e qualidade de governo

Muitos são os discursos que supervalorizam a eleição de Dilma Rousseff à Presidência da República Federativa do Brasil pelo fato de ser a primeira mulher a ocupar o referido cargo. A despeito de não se poder negar a representatividade simbólica desse fato, visto que a questão de gênero é um problema forte – inclusive não só no Brasil, mas no mundo inteiro –, é importante pontuar, no entanto, que o fator gênero - como também o racial - não define a qualidade de um governo.

Lembremo-nos da “dama de ferro” Margareth Thatcher, a primeira mulher a ocupar o cargo de Primeira-Ministra do governo britânico (1979). Entre outras ações reprimiu, de forma violenta, inúmeras greves. E, juntamente como o presidente estadunidense Ronald Reagan, é conhecida como aquela que assentou as principais estrutura do neoliberalismo, pouco se importando com as consequências que isso traria para a sociedade britânica e mundial, inclusive as hordas de desempregado(a)s (fala-se em 3 milhões de trabalhadore/a/s no Reino Unido).

O mesmo pode-se dizer com respeito ao primeiro presidente negro dos Estados Unidos, Barack Obama, quem suscitou em muito(a)s ingênuo(a)s a esperança de uma nova postura estadunidense – tanto interna como externamente. Ainda que um negro na Casa Branca represente avanço simbólico referente às questões raciais – principalmente naquele país - , a eleição de Obama não passou disso. Vide a permanência das tropas invasoras do Iraque e do Afeganistão, as medidas totalmente neoliberais para “solucionar” a crise econômica (injetando dinheiro público para salvar capitais privados), etc..

Portanto, o gênero ou a raça não constituem fatores determinantes dos rumos que um governo assumirá - seja liberal, conservador, progressista... Mas a visão de mundo, de país, de sociedade que o(a) governante tenha e, consequentemente, os projetos de governo por ele(a) desenvolvidos. Melhor dizendo, os resultados da operacionalização desses projetos.

Nenhuma especulação dará conta de responder se a presidente Dilma Rousseff será ou não uma boa governante, muito menos considerando a questão de gênero. Somente no curso da administração e após sua finalização é que a sociedade e os analistas políticos poderão ser capazes de avaliar e mensurar os resultados do referido governo, concluindo se, de fato, corresponderam ou não aos anseios da maioria que o escolheu.

Um comentário:

Anônimo disse...

Política professora é um babado,eu procuro ser positiva sempre que começa um novo governo,mas a falta de compromisso é de matar.
Mas concordo com seu texto,muito bem escrito.
Lindete Souza