
Contagem regressiva. Faltam três dias para se escolher quem governará o Brasil nos próximos quatro anos. Essa escolha é uma tarefa difícil! Digo isso porque, se considerarmos as propostas apresentadas pelas candidaturas ao cargo, observaremos que as estruturas do País continuarão as mesmas. Aqui me atenho aos nomes que aparecem nas três primeiras colocações conforme as pesquisas de opinião divulgadas pela mídia: Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva.
A candidata petista deixa clara a sua intenção de continuar com a política implementada pelo governo atual. Enfatiza, por exemplo, que prosseguirá com a abertura de linhas de crédito como forma de alavancar a economia do País. Para muitas pessoas crédito é sinônimo de possibilidade de investimento, de crescimento. O que não consideram, no entanto, é que significa endividamento e, sobretudo, lucro para os bancos. Aliás, nunca na história republicana brasileira os bancos tiveram tanto lucro líquido ao ano. Em contrapartida, a população se vê endividada, inclusive fazendo supermercado com cartão de crédito, o que denota a falta de capacidade para pagar a comida, a necessidade mais básica de uma família.
José Serra advoga a favor da diminuição da carga tributária. Uma excelente proposta, não fosse a fórmula defendida pelo candidato para viabilizá-la. De acordo com o ex-ministro da saúde, a população brasileira é sacrificada com uma das cargas tributárias maiores do mundo por conta de quem não paga, enfatizadas aí as pessoas que vivem na/da informalidade. Quando culpa o(a)s trabalhadore(a)s informais, Serra está afirmando que estas pessoas estão na informalidade porque querem, “esquecendo-se” de um grande fator: a falta de empregos no País, que empurra milhões de pessoas para o mercado informal. Mas o “tucano” discursa como se quem atua na informalidade o fizesse para sonegar impostos.
Não menos equivocada é a candidata “verde” Marina Silva. Sua intenção de capitalizar a Previdência Social demonstra que o modelo de país que quer implantar continuará a privilegiar certos "clâs hegemônicos". O exemplo dos nossos vizinhos argentinos comprovou quão desastrosa é a capitalização da Previdência, uma vez que beneficia basicamente aos bancos ou a outras instituições que administrem o setor. O(a) trabalhador(a), por sua vez, é pensalizado(a), pois só recebe o montante que aporta e, em caso de viver mais do que a quantidade aportada permita cobrir seu salário de aposentadoria, fica com uma mão na frente e a outra atrás, contando com a boa vontade do governo de pagar-lhe alguma migalha para não morrer de fome.
Essas propostas já demonstram, de cara, que as candidaturas não estão buscando solucionar os principais problemas que o País e a população enfrentam. Diante disso, o que fazer? A quem escolher? As demais candidaturas apresentam propostas que significam a solução de pelo menos alguns dos problemas cruciais?
São perguntas de difíceis respostas. Mas são essas respostas que deverão determinar a escolha (ou não) de alguma dessas candidaturas que se apresentam na disputa eleitoral com vistas ao governo do Brasil.
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