quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O pão sobe, as jornalistas riem: É a miséria do jornalismo brasileiro?

As jornalistas e apresentadoras do Bom Dia Brasil, da Rede Globo, Renata Vasconcelos e Carla Vilhena riram, sem o menor pudor, após notícia sobre o aumento do pão e derivados de trigo, como se esta notícia fosse boa. E, pior, como se o fato não representasse nenhum impacto social negativo. Não sei se me surpreende, se me faz perder as esperanças de que algum dia possamos ter um jornalismo menos elitista, mais sério e social, mas o fato é que não dá para fazer de conta que não vejo as “pérolas” do jornalismo brasileiro, como esta, que foi ar na quarta-feira, 8/9.

É muito provável que Vasconcelos e Vilhena tenham poder de compra para consumir pães tão sofisticados cuja maioria do(a)s mortais sequer ouvirão falar algum dia. No entanto, considerando o impacto social que a majoração do preço deste produto causa na sociedade brasileira, sobretudo nas vidas das famílias de baixa renda, se não queriam, se não sabiam ou se não podiam realizar uma análise do impacto socioeconômico do fato, as jornalistas, ao menos, deveriam terminar a referida matéria poupando o(a)s telespectadore(a)s dos seus largos e belos sorrisos.

Será que o comportamento das jornalistas valida as tais pesquisas segundo as quais o brasileiro é o povo mais feliz do mundo, mesmo diante da miséria? Ou será que é falta de bom senso, de profissionalismo, de capacidade para discernir quando uma notícia merece ser terminada com um sorriso, com comentário inteligente que suscite a reflexão do(a) receptor(a) ou mesmo com um silêncio revelador de perplexidade?

De acordo com a matéria, o preço do pão subirá em por causa da majoração nos preços do trigo no mercado internacional, em consequência da safra ruim ocorrida na Russia, de quem o Brasil é comprador. No entanto, dever-se-ía refletir o porquê de o nosso país, um dos maiores produtores de alimento do mundo, necessita importar 50% do trigo que consome.

Certamente para Vasconcelos, para Vilhena e para empresa onde trabalham não seja interessante despertar o senso crítico da sociedade sobre esse tipo de questão. Melhor continuar com o discurso de que tudo vai bem (e realmente para a Globo, para os plantadores de soja, entre outros, vai mais do que bem...), para que tudo continue indo bem. Este é o miserável jornalismo brasileiro!

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