quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Pesquisas eleitorais, mediações e produção de sentido

Embora os estudos de comunicação estejam avançando a cada dia, muitos ainda teimam em se pautar nas reflexões tradicionais que buscam analisar os processos comunicativos a partir do tripé emissor/meio/receptor, que colocam o primeiro e o terceiro componentes como fixador de hegemonia e vulnerável à manipulação, respectivamente. Neste sentido, considerando as pesquisas eleitorais divulgadas nas campanhas para presidente e governadores aqui no Brasil, o lógico seria pensar que estas serão confirmadas, uma vez que a tendência é de que o eleitorado se deixe inclinar por essas sondagens.

Afortunadamente, as abordagens mais atuais que pretendem compreender essa complexa relação entre comunicação e sociedade buscam refletir os processos comunicativos como resultantes de uma complexidade a partir da qual emissor e receptor se relacionam; um processo onde a produção dos sentidos das mensagens disseminadas se dá a partir e através dessa interação, principalmente considerando estruturas que formam as subjetividades dos indivíduos.

Considera-se que essa produção está permeada pelas práticas sociais e culturais (incluídas aí as instâncias coletivas, indididuais e institucionais)responsáveis por estruturar componentes de significações nos sujeitos através da educação, da família, da religião, do meio ambiente e também da mídia, entre outros.

Sendo assim, os resultados das pesquisas eleitorais amplamente divulgados pelos meios de comunicação à sociedade/eleitora no processo de disputa entre o(a)s candidato(a)s não devem ser encarados como o elemento estratégio capaz de determinar os resultados das eleições porque apontam a vitória de determinadas candidaturas.

Nesse processo complexo de medidação estão incluídas muitas variáveis, que podem atuar como fixadoras dessa tendência ou, pelo contrário, reveladoras de uma visão antagônica. O pleito para governo da Bahia, em 2006, foi uma demonstração de que pesquisas não determinam resultados. O candidato sagrado vitorioso, no primeiro turno, não foi o mesmo apontado pelas pesquisas de opinião amplamente divulgadas pela mídia.

Portanto, até que as urnas revelem o(a)s candidato(a)s vencedore(a)s dos pleitos, nenhuma candidatura tem a vitória assegurada. O(a)s eleitore(a)s não se baseiam unicamente na mídia para decidir em quem votarão. Há uma gama de elementos que permeiam esse processo de escolha.

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