quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O retrato da "inclusão social" no Brasil

Quarenta por cento dos domicílios brasileiros ainda continuam sem rede de esgoto, conforme revela a Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (PNAD), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A quantidade de domicílios que em 1992 tinham acesso ao serviço era de 46%. Em 2009 esse número subiu para 59%. Pouquíssimo, considerando a sua imprescindibilidade para a qualidade de vida de uma população. Em contrapartida, o acesso à telefonia celular no País não para de crescer. Em apenas cinco anos (de 2004 a 2009) houve um aumento de 41% de pessoas com acesso ao telefone móvel, o que revela as distorções no que se refere ao significado da inclusão social.

Quando são divulgados os número de pessoas com acesso à telefonia celular pelos meios de comunicação é notório o entusiasmo do(a)s jornalistas, que, em muitos casos, chegam a publicar em suas matérias a expressão "inclusão social", como se portar um telefone móvel de fato significasse estar socialmente incluído(a).

É chocante observar como se distorcem conceitos tão significativos, descartando toda uma possibilidade de discussão acerca de questões que realmente interessam à sociedade. Não adianta um indivíduo possuir um telefone se não possui as mínimas condições para viver com dignidade, como o acesso à rede de esgoto onde reside, por exemplo.

Mas aí temos que refletir sobre os discursos que interessam ser disseminados pelos referidos meios de comunicação. Certamente não são os que interessam à maioria excluída de serviços essenciais como saneamento, saúde, educação, seguridade social como um todo. Interessam aqueles discursos que ajudam a manter a concentração de renda no segundo país onde se paga mais impostos no mundo (com a diferença de que no primeiro sua população é provida pelo Estado no que se refere aos serviços essenciais; lá, tem-se qualidade de vida e inclusão social, aqui não!).

No entanto, seria contraditório que conglomerados midiáticos abordassem sobre estas questões, considerando os interesses mercadológicos que norteiam as suas atividades. É bem mais lucrativo fazer apologia ao concumo de telefonia celular, de automóveis, de aparelhos de tv de última geração do que propriamente defender a necessidade de que todos os habitantes do País tenham acesso ao seneamento público, à educação de qualidade... Se isso acontecesse, os 10% da pupulação deixariam de concentrar os 40% da riqueza em suas mãos. É uma questão de conveniência.

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